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quinta-feira, 24 de março de 2011

Por vezes, impotência


Eu me contorço em diversos movimentos,
Extrapolando os sentimentos
Incabíveis dentro de mim.
Sentido de ânsia,
Por vezes impotência,
Barulhos no fundo,
Atenção confusa,
Uma mente sem rumo
Às vezes eu sou.
Quero o caminho para o vilarejo,
Para o lugar dos desejos satisfeitos,
Da calma água azul.

Eu me contorço, me esforço por lembrar
A cor da felicidade fácil e pura.
Mas há barulhos no fundo,
Concentração meio turva
E a idéia se esvai.
Quero um poço de ternura,
Uma flor púrpura,
Um dia adormecendo bem.

Jane Santos

sábado, 19 de março de 2011

Dimensão da vida

Pensar é a dimensão da vida,
Que desabrocha feliz
Por entre as palavras, as memórias
E as cores do ser e do não-ser.
Pensar é o descobrimento do mundo,
Por leituras, releituras e viagens e aventuras.
Eu tenho o gosto prazeroso de pensar,
De ver o fervilhar das idéias,
E elas são tão minhas, são tão alheias,
Eu as tomo e as refaço,
Cortando as arestas, juntando os pedaços,
Daqui, dali, de milhões de lugares e pessoas.
O pensar reflete em mim as tendências mais loucas
E mais belas,
E eu penetro as aquarelas
Do despertar para o conhecimento,
Do deslumbramento frente o intelecto.

Jane Santos

quarta-feira, 16 de março de 2011

Deus é supremo

O homem constrói coisas, mas essas coisas só são possíveis se se retirar a matéria da natureza. Essa natureza já existia antes do surgimento do homem, ou seja, por alguém ou alguma grande força e inteligência foi criada.O homem, por construir coisas, acha-se o ser mais poderoso. Não lembra que faz parte da natureza e que, portanto, também foi criado. Alguns descartam, geralmente a dizer que usam a razão, toda e qualquer possibilidade da existência da grande força e inteligência criadora, à qual chamamos de Deus por não termos outro nome melhor e mais apropriado.O homem quase sempre esquece que seu poder de criação é infinitamente inferior, que suas obras são senão coisas de Deus. Isso porque tudo está na natureza, e ela foi criada por Deus. O homem egoísta acha muito mais complexidade nas suas máquinas do que numa árvore, num peixe, numa flor e até nele mesmo, criatura divina. Portanto, acha-se muito mais difícil pensar numa criação científica, coisificada, do que criar um universo todo.Por não entender praticamente de quase nada, porque o entendimento para ele é limitado, o homem diz que, usando-se a lógica, Deus não existe. Pois digo que nada é tão lógico como a existência de Deus, porque vejo que tudo isso existe, e muito mais, infinitamente mais.Não é simplesmente por não ter mais explicações para as coisas que se credita a criação a Deus, mas porque nenhum outro ser seria capaz de engendrar essa imensidão de coisas e com tanta perfeição. Acreditar em Deus não é irracional, é para qualquer um que tenha bom senso. Irracional é dar todo o mérito da criação ao acaso, posto que nada na existência acontece dessa forma. Acreditar em Deus não significa só falar, para tentar convencer aos outros de que se está nos moldes estabelecidos pelas sociedades religiosamente irracionais que se proliferam todo dia. Acreditar é amar, porque se nós tivermos a certeza íntima de que Deus é o dono da vida, nós amaremos esta vida, amaremos e respeitaremos sua grande invenção. Tudo porque nos conscientizaremos de que não temos o direito de desprezar ou desfazer a obra magnífica de Deus.Respeitar Deus e amá-lo verdadeiramente significa não ter medo do seu poder, porque Ele não é vingativo. Haveremos sim de temer nossas próprias imperfeições, que não foram criadas por Ele, mas adquiridas através do livre arbítrio mal dirigido. Não precisamos temer a Deus, imaginando-o como um rei da Terra. Se Deus criou as coisas com uma inquestionável perfeição, isso quer dizer que também é perfeito, e que, portanto, não quer ameaçar nem se vingar de ninguém, como alguns imaginam, pois isso é a pura imperfeição.Não queira que Deus tenha forma, ou nome, roupas e adornos diversos. Deus é Deus, e nós, ainda na nossa pequenez, não iremos entendê-lo até o íntimo. Disseram os espíritos elevados que se revelaram a Kardec que não queiramos penetrar no impenetrável. Portanto, tente, isso sim, abolir suas imperfeições antes de tudo, e aí Deus será integralmente entendido ao passo que se alcance a elevação moral.
Jane Santos

terça-feira, 1 de março de 2011

Mácula


A mácula eu carrego em espírito,
A mácula carrego comigo.
O frescor dessas vidas me repõem ao lugar,
Mas, sem jeito, as dívidas 'inda pago.
Carregando, sem jeito, a mácula.
De um dia, certo dia,
Ter feito chorar...
E foi o bicho a planta, o homem,
Nos meus caminhos, um motivo qualquer,
Tenha sido mulher,
Tenha sido sei lá.
Certo que a lágrima caiu,
Fez-se rio, fez-se mar.
E hoje repesco a paciência
Pelos deslizes nas lamas da ignorância,
E tento cobrir de luzes esse amores
Que por cem mil motivos se puseram a mim.
Sou resultado das subtrações e das somas
Das existências
Desta alma sem fim.

Jane Santos

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Obra em redefinição



Precisamos reescrever a História,
Colocar pontos em alguns pontos,
Reticências em outros.
Preencher de palavras claras
A escuridão das devassas
Que se acumulam nos livros.
Precisamos de inspiração aguçada
Para reinventar as ações,
Aspirações para o novo mundo,
Que irá repor os perdidos,
Pedidos de perdão.
A História daqui por diante,
Diante de um protesto refotmante,
Irá se reescrever ao posterior.
E que vivências se irão formar,
Novas mentes e novas almas,
No recomeço da matéria espiritual,
No redefinir da obra de Deus.

Jane Santos

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A miséria que te acerca

Analiso neste intante a miséria
Que te acerca,
Ela é a miséria que vem de longe,
Do fundo das tuas entranhas ressequidas
Com bebidas e farinhas com gordura.
É a miséria da tua fartura,
Da tua gula descontrolada frente
Tudo que te oferecem.
É a conversa fiada mais fiada que nunca,
A bobagem na boca,
A dor na nuca,
O veneno do cérebro,
O conhecimento perdido,
É o resultado do mata-bicho
Docemente ingerido,
São os vermes que te roem,
Corroem o já roído,
Penetrando na pele,
Na boca e nos ouvidos.
É tudo aquilo que aceitas sem cheirar, sem olhar,
Sem ao menos entender.
São as drogas da televisão,
Que te empobrecem e te derrubam,
O fácil da vida,
O vazio das ruas.
A miséria que te acerca é a ação negativa,
O pensamento apodrecido
Pelos ferimentos adquiridos.
É tua própria mente, demente,
Cada vez mais odiada por ti mesmo,
Esquecida ao deus-dará.
E Deus não dará, meu filho,
Sem a busca e sem o merecimento.
Ame e conheça e cresça.


Jane Santos

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Silêncio

O silêncio costuma me trazer idéias,
Leva as minhas para longe,
Na sua freqüência imperceptível.
E disseram um dia que era bom,
Que acalmava os ânimos,
Aquietava desânimos
Num canto qualquer do ser.
O silêncio é mestre de tantas coisas,
Flores que desabrocham
Sem alguém ver.
Ele aompanha o passar das noites
Por entre as moitas fechadas
Do sertão.
O silêncio é a música dos sábios,
Sem ensaio, sem algum tocador.
Apenas uma mente,
Uma calmaria no aconchego da sala,
Daí as idéias deságuam,
Lívidas, com a certeza da certeza.

O silêncio costuma me trazer novidades,
Às vezes uma frase,
Às vezes tristezas
À falta de uma pena.

Jane Santos

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desarranjado



O samba toca tranquilo lá ao fundo,
Sou incerteza na tua pele,
E que faço!
Diriam os outros que nós outros
Erramos a linha,
E bordamos um pano desalinhado.
Diriam todos que o samba entristece,
Se ele, por ventura,
Seja um samba calado.
E na calada da noite que se vai,
A mente borbulha
E se aventura ao mundo todo,
Sem mapas, sem nada mais.
Deixo você no seu dormir quase acordado,
E vou tocar outros sambas com outras vestes,
Melodias e cavacos.
Por mais que eu tente,
O descontente desse ser
Irá correr sem freios alguns, sem porquê.
Meu bem, perdoe,
E não se doa com meu calar,
É que você me esqueceu no canto da sala,
E foi pro carnaval sem me convidar,
Por isso meu samba,
Dizem os outros toda vida,
Que desarranjou e ficou sem melodia,
E todavia encontro outros póros,
Viagem astral,
Outros povos.
Não se icomode, vou voltar...
Mas toque a mim, sempre,
Sem desanranjar.

Jane Santos

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Espiritismo

Se queres aprender a amar,
Entrega-te a Jesus,
Este dos precipícios te salvará,
Este te dará toda a luz,
Aquela que é necessária
Para aclarar teus dias de dúvida,
E que diminuirá a tua carga,
E que amaneirará a tua cruz.

Não te demores a crer,
A vida te espera,
Quer tua ação afetiva,
Uma mão mais amiga
E virtudes sem regras.

O amor está para dar,
No teu peito já se plantou,
Cultiva, então, homem de pouca fé,
E verás que além do céu azul
Há a paz eterna,
Finda-se a dor.

Inda que queiras todas as respostas,
Inda que não te contentes com as possíveis,
Crê e vem sem demora
Para a doutrina pura do Cristo.
Não te atormentes com o medo,
Não dê aos maledicentes ouvidos,
Aproxima-te do amor e do conhecimento
E estarás, assim, evoluindo.

A vida aqui te brilha,
Ainda meio ofuscada,
Mas venhas tu a esta doutrina,
E verás a luz sem talhas.
Terás a visão da verdade,
Então sairás falando, levando o amor,
A paz e a caridade.

Jane Santos

Alvorada

Sondo as coisas do mundo
Através desses óculos respingados.
Quebrando as desilusões da vista
Consigo tatear alguma coisa.

Furacões se formam,
Chuvas caem sem dó nem piedade,
Assim se vão metades de cidades,
Encharcando o peito de pesar.

E apesar de tudo,
Esse mundo se mostra ainda habitável,
Desejável e infalível.
Mesmo que meu ser pequeno
Ainda sinta medo.

O escuro das noites sem luz,
A solidão dos dias sem coisas e pessoas,
A visão embaçada das correntes,
Tudo isso me congela à televisão.

Um tempo vem chegando,
E meus óculos estarão quebrados,
Transformados em um fóssil qualquer.
E prometem-me com tenacidade
A chegada de uma nova era,
E quem me dera puder ver.

É por isso que eu poetiso,
Na tentativa inocente de ficar no tempo,
Resistindo ao temporal das mudanças frequentes.

Jane Santos