Seguidores

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Exala, flor!


Ah flor
Vai longe fazer voar teu pólen
Vai bem ali testar outras terras
Para as tuas raízes cansadas
Vai, flor
E não estranha
Não se acanha
Vai colher o amor
Caminhando em mais estradas.
Beija outros solos
Encanta outros olhos
E exala, exala...


Jane Santos

Raminho de amor


Tem que deixar o amor fazer jardim na alma
Tem que deixar mesmo que ele lhe deixe
Tem que colher as flores plantadas
Tem que colher para que se enfeite
Que se um dia tudo acabar
Haverá ficado um raminho
Um carinho
Um deleite.


Jane Santos

Aquele amor não era amor



Aquele amor não era amor
Ou era um amor qualquer
Ou um amor sem lastro
Um amor não pra o que der e vier
Um amor sem laço
Talvez fosse um amor imaginado
Ou amor inventado
Não era amor eterno
Nem imutável
Não era amor fraterno
Era amor apaixonado
Sem final feliz
De momentos
Intensos
Passado


Jane Santos

Fibras


Minhas fibras suportam
As carícias da vida
Alegrias tecidas
E os enlaces de amor
Suportam também
Becos sem saída
Ilusões perdidas
E lágrimas de dor
Suportam tristezas
E também felicidade
Planos desfeitos
Esperança e medo
Suportam as realidades
Minhas fibras
Só não suportam viver
Regime de inverdades.


Jane Santos

Certas coisas

Só posso dizer
Que minha culpa eu aceito
E aceito as dores também
Os preços que preciso pagar
As lágrimas que devo derramar
E o desconhecido que me vem.
Só posso dizer que não tem jeito
Que tudo já foi feito
E que para certas coisas
Só cabe sinceridade, paciência
E compreensão
Mas que muitas vezes
Tudo isso dói o coração
Porque não é fácil
Ter planos morrendo
Esvaindo-se os sentimentos
E tudo em quanto se construiu.
Mas para certas coisas
Não cabe desânimo
Só o tempo
Só o vento para levar
E sarar, e preparar novo terreno
Só a vida para continuar
Só o amor para encantar
E aliviar os pensamentos.
Até lá, é ter o perdão
De quem machuco
E faço sofrer.
Mas para certas coisas
Só coragem
Esperança de que um dia
Em belos dias
Todo o bem, a paz e o amor

Possam me refazer.

Jane Santos

As dores


Só tu, criatura
Na tua inseparável solidão
Podes conviver com tua dor
Ninguém mais, mesmo que tente
Ninguém para além de teus motivos
De tuas perdas ou ganhos,
Mesmo que queria
Poderá suportar, rever contratos
E tecer outros panos
Os amigos te manterão distraída
Vez e outra que der
O trabalho te trará certo repouso
Mas ela estará lá, intacta
À espera de novos encontros
Novas lamentações de algo
Que não mais se muda.
Quando houver novo encontro
Pega tua dor e um carinho faça
Uma hora ela deixa cair o peso
E tu andarás mais leve
Uma hora ela fará sentido
Mesmo que preciso seja
Por dentro se rasgar
Rasga o que for preciso
Deixa-te um pouco se macular
Deixa a alma padecer uns intantes
E sofre a dor, sem apontá-la o dedo
Entrega-te à profunda análise
De ti mesmo e dos próprios passos
Pergunta à tua vida algumas questões
E aguarda
Certo é que a dor passe
E as respostas venham mesmo que custe
Se os planos morreram, enterra-os
Vela-os o tempo que for preciso
Deposita flores em seu túmulo
Para que perfume
O restante da caminhada
Oferece bons fluidos
Apesar de lamentar a sua morte
Começa de novo.
De novo começa
Mesmo que ainda venham outros tropeços
Outros desgostos e gostos também
Deixa viver tua humanidade
Não te curves ao pensamento
Que te coloca inerte frente à vida
Tu és ser, indivíduo do mundo
E que ainda não acertou com a trilha
Mas vai, olhando para trás
Para errar menos
A dor que vem
É resultado de tuas fraquezas, tuas bobagens
Teus insultos à sorte
No chão se deitam tuas mágoas
Mas levanta o olhar
E observa o horizonte céu azul
Largo, ele te mostrará o tempo
E este cuidará bem te tuas máculas
Mesmo que elas continuem lá
Intactas
Esperando um novo encontro
Regado a lágrimas
Ou mesmo sorrisos de conformação
Hoje choras sobre tua comida
Sobre teu travesseiro
Sobre tuas leituras
Junto às águas do chuveiro
Te reportas, por dentro te recortas
Te recolhas uma hora e chora
Culpa-te
Perdoa-te
Tu de nada sabes e só és nesse mundo grande
E há tantos outros ainda
Mastiga os ossos das desilusões
E sobre eles constrói os teus museus
Deposita neles teu passado
E ao redor inventa flores
Para colorir teu recomeço
Teu futuro
Não há uma só flor
Não há um só amor
Nem uma só dor
Outras dores virão ao longo do percurso
E dentro de todas elas
Permite doer
E depois te erguer alto e forte
Te reconstrói das cinzas, criatura
Feito fênix te remonta
Nada sobrará além de lembranças
Que alfinetarão vez e outra tua felicidade
Mas há por demais tempo
Há por demais chances
Há por demais sorrisos e mãos e olhares
Um dia sim todos se te abrirão
E as dores ficarão mais quietas

Em seus devidos lugares.

Jane Santos

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Desencontros íntimos



Ontem mesmo era-me aqui
A experiência do arrepender-se.
Movimentos bruscos, de açoite à alma
Sacudidos pelas curvas transversais dos dias
Trouxeram-me uma taça de angústia
Profunda, dolorosa e amarga.
Traguei.
Traguei junto às lágrimas que se avivaram.
Psicóloga de mim mesma
Não consegui achar-me.
Sem acalantos de outros
Não detectei os agravos
E no instante da culpa,
Manifestou-se apenas ela
E um emaranhado de indefinições.
Apenas a culpa e um pouco de saudade
A culpa e o cansaço do labor
A culpa e a insatisfação do amor
A culpa e o vazio.
A culpa.

Fechou-se então a garganta
Porque nela gritos morreram.
Por que gritar
Se me parece o pesadelo..
E ninguém ouve?

Resta-me remoer por mais umas semanas
Esse torpor que se instala,
Aguardar a chegada de algo oposto
A tudo isso.
Era-me ontem, a essas horas de agora
Um caldeirão em mim mesma de desencontros íntimos
De infelicidades cobertas a risos de vendedor.
Se consertarei esses desacertos
É certo eu desconhecer.
Não sei.
Quem sabe?
Só Deus sabe....
Esse Deus que me empresta a vida
Linda
Mas nem tanto.
Tantos desencontros de mim mesma
Com  meus próprios discursos.
Usos indevidos no meu próprio mundo
Mudando. Indefensável.
Pairo nesse quadro escurecido
Sob a túnica pesada dela
A culpa.
A culpa e o temor
A culpa e a vaidade borrada
A culpa e a juventude que se atrasa
A culpa e a boca fria
A culpa.

Resta cortar-me aos poucos
Dessas mil e tantas impurezas
Que se acomodam nal'ma.
Resta-me ter calma, para achar-me 
Nas esquinas do foro particular.
E amar... porque eu só quero amar.

Jane Santos



segunda-feira, 8 de junho de 2015

As peças de amor



Fizeram-me um dia de amor.
Genética adocicada que fabricaram um dia!
Fizeram-me um dia de amor.
E em mim cabem tantos!
E tantos nem tanto,
Extrapolam e vazam
E se descobrem em outros cantos por aí.
Fizeram-me um dia com olhos
Pra ver as flores do jardim
E achar que elas eram lindas
E amar também.
Fizeram-me um dia com ouvidos
Pra ouvir melodias finas
E achar que eram dignas
De se querer bem.
Fizeram-me um dia com mãos
Pra tocar outras tantas
Em apertos, em carícias, em trocas outras.
Fizeram-me toda de sentidos
Pra sentir o mundo que está
E as pessoas que são.
E à toa ando pelos caminhos
A amar corações duros, moles,
Dedicados, negligentes,
Cuidadosos, impacientes,
Carinhosos, inconsequentes.
Ando a amar porque não se paga
E se ganha muito!
Sem amor eu nada seria!
Sem amor eu me arrependeria mais que já me ocorre.
Sem amor não venceríamos a morte,
Sem amor seríamos minúsculos.
E o impulso para o outro seria fracasso.
Sem amor, os casais não fariam filhos,
Sem amor, a caridade não haveria,
Sem amor, sorrisos não sorririam
Nem olhares se tocariam,
Nem bocas se beijariam,
Nem mãos se animariam,
Nem nada que o amor dá.
Sem amor eu nada seria!
Seria um saco.
E por um dia terem me feito com peças para amar
É que o faço e tento mais ainda
Por não ser fácil, tento mais ainda.
E vou, usando as peças...
Sem que nada me impeça,


Pois me é de agrado.

Jane Santos

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Amor do mundo


o amor me faz esquecer das dores que sinto
no corpo e na alma
me faz entrever horizontes azuis
e possibilidades de ser feliz, me acalma
me faz enxergar cidades de luz e flores
e diz que o mundo é mais
que montes de pedra e  insensatez
a beleza do amor, a força do amor
a melodia do amor
é assim um encanto e me faz rir
é um recanto e me faz ir
buscar pessoas
assim que abracem e chorem
porque mataram seus medos
e pularam cercas, afins
sem muros, sem rédeas, sem senhas
o amor me faz crescer
e de passos largos pelas relvas
meus pés me deixam ser
mais que mortal insignificante
mais que massa modelável errante
o amor me diz que há chances de sermos mais
que passantes.
estou disposta a estar disposta e amar
mesmo que doa
porque a dor também ensina
embeleza, lapida
e nos torna fortes como rocha

Jane Santos

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Poesias feitas num canto


Poesias feitas num canto
São alento ou desencanto
Que entraram pela janela.
São sorrisos e lágrimas que regaram flores
Ou são palavras que doeram ao peito
Ou marcaram um olhar.
Poesias feitas num canto tem cheiro
Ora de bocas beijadas
Ora de flores regadas
Ora de sentinelas veladas
Ora de felicidade ou de dor.
É cá um tanto de coisas que se acumulam
Na beleza do vivenciar o mundo
As pessoas
Si mesmo.
É lá um tanto de sentimentos
Que inútil é guardar no peito.
Melhor deitar sobre o papel quieto
Agora inquieto com tanto sentir.
Chorar sorrir. Vida.
Poesias feitas num canto tem cheiro
De gente que se quer e não se pode
De ato que aja mas não se note
De mulher amada mas escondido
De homem desejado mas proibido
De livro bom mas não lido
De comida boa mas não comida
De camarão mas alergia
De gargalhadas mas engasgos
De correria mas quedas
De sucesso mas preço
De caridade mas renúncia
De isso e aquilo e tudo e mais um pouco.
Porque poesia não dá se não tiver motivo
Nem que seja nada colorido
Ou que seja totalmente cor.
Tem que haver razão seja lá qual for
Num canto,
Sentindo a dor da perda
A lisura da seda
Ou a saudade de um amor.

Jane Santos